Tentativa de Greenwash no registro ambiental de Bolsonaro sai pela culatra na OCDE

0
66

Em 27 de janeiro, a Human Rights Watch enviou uma carta aos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) detalhando os impactos desastrosos das políticas ambientais do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. A intervenção agora ajudou a frustrar a tentativa de seu governo de usar a OCDE para esverdear seu histórico.

Em setembro de 2019, o Ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, viajou para a sede da OCDE em Paris para defender uma elevação ao status do Brasil no comitê de meio ambiente da organização. Sua intervenção foi parte de um esforço mais amplo para conter as críticas internacionais à resposta de Bolsonaro aos incêndios devastadores na Amazônia, enquanto avançando A campanha do Brasil para obter membro permanente da OCDE, uma organização que reúne as maiores economias do mundo.

Salles não conseguiu persuadir todos os Estados membros, e uma decisão sobre o assunto foi adiada para 9 de fevereiro de 2021.

Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2019, o governo Bolsonaro sabotou as agências ambientais brasileiras de cumprimento da lei, acusou falsamente organizações da sociedade civil de crimes ambientais e tentou minar os direitos indígenas. Essas políticas têm contribuído para o aumento das taxas de desmatamento na Amazônia brasileira, um ecossistema vital para conter as mudanças climáticas, ao mesmo tempo que coloca em risco os direitos dos defensores da floresta e dos moradores locais. Essas políticas também vão contra o mandato do comitê de meio ambiente da OCDE.

A carta de 14 páginas da Human Rights Watch aos membros da OCDE descreveu como recompensar o Brasil com uma atualização de status agora comprometeria a credibilidade do comitê de meio ambiente da organização e seria um tapa na cara dos defensores da floresta que enfrentam retaliação por seu trabalho para proteger a maior floresta tropical do mundo.

Seguindo nossa carta, em 2 de fevereiro, a Secretaria da OCDE retirou abruptamente a questão da elevação do status do Brasil da agenda do comitê. Pouco depois, um dos jornais mais influentes do Brasil relatado que essa decisão extraordinária mostrou que a preocupação com o histórico ambiental de Bolsonaro é cada vez mais vista como um obstáculo para o Brasil obter um convite para se tornar membro da OCDE.

Daqui para frente, os Estados membros da OCDE devem enviar um sinal claro ao governo Bolsonaro de que não promoverão a candidatura do Brasil a se tornar membro permanente, a menos que suas políticas atuais mudem radicalmente para proteger o meio ambiente e apoiar seus defensores, e até que o Brasil demonstre resultados concretos na redução desmatamento e ilegalidade na Amazônia.

Fonte: www.hrw.org

Deixe uma resposta