Eleições da ONU não devem depreciar os direitos humanos

0
60

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas realizou sua eleição anual para cadeiras no Conselho de Direitos Humanos em outubro passado, cinco países do grupo regional da Ásia disputaram quatro cadeiras abertas, incluindo dois dos mais notórios violadores de direitos do mundo, Arábia Saudita e China. Os Estados-Membros tomaram conhecimento. Na votação secreta, os sauditas perderam e o governo chinês conseguiu o último assento.

Quando oferecida uma escolha, os governos podem tomar a decisão certa. Aconteceu em 2016 também, quando A Rússia não conseguiu ganhar um assento no Conselho de Direitos Humanos Concil graças à competição. As eleições da ONU devem sempre ter candidaturas competitivas para que os governos possam votar contra candidatos inaptos com histórico de direitos insuficiente.

Mas, na semana passada, os 54 países membros do Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) fez as coisas da maneira errada realizando eleições não competitivas. O resultado foram prêmios imerecidos para governos abusivos, notadamente Irã, Egito, Paquistão, Mianmar e China, concedendo-lhes assentos em órgãos da ONU ligados aos direitos das mulheres.

Irã, Egito, Paquistão e China foram eleitos para a Comissão sobre o Status da Mulher. Irã, Egito e Paquistão têm registros deploráveis ​​dos direitos das mulheres e não deveriam ser tomadores de decisão da comissão. Pequim se considera uma defensora dos direitos das mulheres, mas é responsável por graves abusos contra as mulheres muçulmanas turcas em Xinjiang, onde a Human Rights Watch descobriu que as autoridades chinesas estão cometendo crimes contra a humanidade. A votação secreta obscurece quem votou no Irã, Paquistão e China, mas a contagem final indica que alguns governos ocidentais os apoiaram. Só houve votação na chapa da Ásia, que normalmente são aprovadas por aclamação, porque os EUA convocaram uma votação.

Em outro resultado terrível, Mianmar foi eleito por consenso para o conselho do Fundo de População da ONU, a agência responsável pela saúde reprodutiva e materna. Os militares de Mianmar, que tomaram o poder em um golpe de 1º de fevereiro e mataram centenas de manifestantes pró-democracia, realizaram uma campanha de limpeza étnica contra os muçulmanos Rohingya em 2017, que incluiu estupro generalizado e outras formas de violência sexual.

As delegações da ONU não deveriam dar credibilidade a estados abusivos, recompensando-os com cargos de direitos humanos. Os registros dos cinco agora devem receber escrutínio extra. No futuro, os estados membros da ONU devem evitar votar em governos abusivos sempre que possível e insistir em listas competitivas para todos.

Qualquer coisa menos prejudica a posição dos órgãos da ONU em direitos humanos.

Fonte: www.hrw.org

Deixe uma resposta