Chefe da ONU deve apoiar investigação remota em Xinjiang

0
43

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, espera que o governo chinês conceda a especialistas da ONU acesso irrestrito aos centros de detenção em Xinjiang, onde mais de um milhão de uigures e outros muçulmanos turcos enfrentaram tortura e uma miríade de outros abusos dos direitos humanos. Mas ele deve deixar claro para Pequim que uma investigação pode ocorrer com ou sem acesso.

Em um entrevista recente com a emissora canadense CBC, Guterres instou Pequim a dar à alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, e a outros especialistas da ONU “acesso ilimitado” a Xinjiang, que Bachelet havia solicitado pela primeira vez há dois anos.

Diante da lentidão de Pequim, Guterres deve dar um passo adiante e endossar a equipe de Bachelet que conduz uma investigação remota que relata publicamente suas descobertas.

Conforme mostrado por investigações da ONU sobre abusos em Coréia do Norte e Myanmar, uma investigação em Xinjiang pode ser abrangente e confiável, mesmo sem a cooperação do governo chinês. Há ampla evidência do impacto das políticas repressivas de Pequim no domínio público, incluindo documentos internos do governo chinês e Imagem de satélite publicado por organizações de direitos humanos, incluindo Human Rights Watch, e meios de comunicação.

Guterres, que busca um segundo mandato como secretário-geral, ainda não pediu à China que ponha fim aos abusos em Xinjiang, como fez 50 especialistas da ONU e dezenas de países membros da ONU. Mas ele reconhece o valor de falar publicamente. Como ele disse em outra entrevista, “Nosso poder na ONU é o poder de persuasão, é o poder de falar, é o poder de denunciar o que precisa ser denunciado.”

Guterres tem acertado em Mianmar, onde nos últimos dois meses ele repetidamente condenado as atrocidades das forças de segurança de Mianmar contra manifestantes que protestavam contra o golpe militar de 1º de fevereiro. E a junta está enfrentando uma pressão crescente, em parte devido a Guterres, seu enviado especial, a ONU relator especial, e outros funcionários da ONU se manifestando.

É hora de fazer o mesmo com a China.

Fonte: www.hrw.org

Deixe uma resposta