06 de outubro de 2007
Testemunhas dizem que mulher foi espancada e arrastada por um quarteirão em Fortaleza (CE). Grupo procurava arma supostamente roubada por sobrinho da vítima
Correio Braziliense
Cinco policiais militares do Ceará são acusados de matar a aposentada Nilce Nascimento da Silva, na quinta-feira, em Fortaleza. Os PMs foram à casa da aposentada buscar uma arma do capitão do Corpo de Bombeiros José Dinis, que teria sido roubada pelo sobrinho dela, Erivelton da Silva Fernandes. Ao chegar à residência de Nilce, os policiais, segundo testemunhas, retiraram a mulher à força, a espancaram e a arrastaram por um quarteirão.
Ela foi levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O comando da PM informou ontem que instaurou um procedimento administrativo para apurar a morte da aposentada. Com o início da investigação, os cinco PMs envolvidos na ação foram afastados de suas funções. O comando do Corpo de Bombeiros abriu sindicância para saber se houve participação do oficial Dinis.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu ontem ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, que a investigação seja federalizada. A seccional da OAB no Ceará, inconformada com a conduta da PM, relacionou ainda outras quatro ações da corporação consideradas desastrosas apenas este ano no estado. No último dia 26 de setembro, PMs deixaram paraplégico o turista espanhol Marcelo Ruiz, após confundirem o carro em que ele estava com um que estaria sendo usado por assaltantes de banco.
Em março, os estudantes de medicina Marcelo e Leonardo Moreno foram mortos pelo capitão da PM Daniel Gomes Bezerra, em Iguatu, pequena cidade do sertão cearense, após uma discussão banal na saída de uma churrascaria. Em abril, o mestre-de-obras Francisco de Assis Palmeira Filho foi atingido durante uma troca de tiros entre policiais e uma dupla de assaltantes, em Fortaleza. O homem não resistiu aos ferimentos gerados pelo fogo cruzado.
Há dois meses, o universitário Antônio Neilton Farias de Sousa se transformou em mais uma vítima ao ser baleado na cabeça durante um cerco feito por PMs a uma van, na periferia de Fortaleza.
O presidente da OAB-CE, Hélio Leitão, espera que o procurador Antônio Fernando de Sousa aceite o pedido para que a polícia cearense seja afastada da condução dos casos. Leitão acredita que a investigação deve ser feita pela Polícia Federal.