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09 de março de 2006

Vinte e cinco trabalhadores rurais Sem Terra foram presos na tarde do dia, 06.03.06, no
distrito de Guará, município de Guarapuava, região Centro do Estado do Paraná.
A prisão ocorreu no momento em que os Sem
Terra realizavam a colheita da erva-mate para o consumo das
famílias na Fazenda Curi, que vem sendo plantada pelos trabalhadores desde
novembro do ano passado.

25 SEM TERRA SÃO PRESOS NO PARANÁ

Vinte e cinco trabalhadores rurais Sem Terra foram presos na tarde do dia, 06.03.06, no
distrito de Guará, município de Guarapuava, região Centro do Estado do Paraná.
A prisão ocorreu no momento em que os Sem
Terra realizavam a colheita da erva-mate para o consumo das
famílias na Fazenda Curi, que vem sendo plantada pelos trabalhadores desde
novembro do ano passado. Entre os trabalhadores presos, quatro eram menores e
foram encaminhados ao Conselho Tutelar. Os demais continuam presos em
Guarapuava acusados de formação de bando e quadrilha, aliciamento de menores e
roubo de erva-mate.

Essas famílias encontram-se acampadas numa área pertencente à Igreja (Comunidade São
Sebastião), no meio da Fazenda. Há dois anos atrás esta área fora tomada por
plantadores de batata e madeireiros da região os quais ocuparam a área e
realizaram com a complacência do poder público um grande estrago ambiental. O
que causa estranheza é que nestes últimos dois anos em que os grandes
proprietários da região devastaram a área, nenhuma ação por parte do poder
público foi realizada para coibir o uso da área por parte dos fazendeiros.

Esta ação da Polícia Militar, do judiciário e dos fazendeiros locais, confirma as denúncias
da CPT feitas nos últimos 3 anos a respeito do aumento das ações do poder
judiciário com o fim de criminalizar a luta dos trabalhadores rurais no Estado:
entre 2004 e 2005 foram presos no Estado 72 trabalhadores, comprovando a
estratégia de intimidação da luta pela terra nesta hora em que o processo de
implantação da reforma agrária no Paraná e no país encontra-se praticamente
estagnado. Vale lembrar que nesta mesma região, três trabalhadores permaneceram
presos mais de 1 ano tendo sido absolvidos, após várias ações de pressão das
entidades que lutam pelos direitos humanos no Estado, as quais denunciavam as
arbitrariedades legais dessas prisões. Além disso, estes números são resultado
da ação sistemática e parcial do poder judiciário paranaense, que continua
tendo como único objetivo resguardar e proteger os interesses dos fazendeiros.

A CPT mais uma vez vem a público denunciar esta estratégia que garante impunidade aos fazendeiros
que desmatam e poluem a terra enquanto criminaliza os pobres do campo, que
buscam alternativas para fugir da fome e da miséria a que foram condenados.